29 de abril de 2024

5 curiosidades do Marco dos Corais: Tiago Angeli e Ricardo Leão compartilham detalhes da obra premiada pela ArchDaily Brasil

Você sabia que um projeto alagoano foi eleito uma das obras do ano pelo Prêmio ArchDaily Brasil? Um dos principais patrimônios construídos pelo estado nos últimos anos, o Marco dos Corais conquistou o segundo lugar na edição de 2024. Liderado pelos arquitetos Thiago Angeli e Ricardo Leão, o escritório já premiado se destacou entre obras nacionais e internacionais.

Dos bastidores da construção aos detalhes do conceito, confira 5 curiosidades do Marco dos Corais que mostram o porquê esse prêmio foi tão merecido.

1. Paraíso Protagonista

Maceió é uma das três únicas capitais do mundo com uma barreira de corais dentro da orla urbana da cidade. Portanto, o principal era valorizar a natureza, além da historia do lugar, o antigo Alagoas Iate Clube, o Alagoinhas.

“A gente sempre teve essa ideia de fazer um espaço de contemplação, mas quando paramos para estudar o tema da questão ambiental que envolve essa reserva maravilhosa que a gente tem, foi o que a gente descobriu como isso é rico e como tão poucas cidades têm esse privilégio. Então o grande acerto foi exatamente encaixar esse conceito junto com uma expressão de arquitetura que tivesse devido respeito a toda essa história, toda essa vocação divina que a gente tem”, conta Thiago Angeli, um dos arquitetos responsáveis.

2. Materiais Biotérmicos

Os materiais seguem essa linha, foram pensados para valorizar o melhor que o ambiente oferece. São discretos para que a natureza e o mar sejam as grandes estrelas, e biotérmicos por conta do calor. Piso é de granito quebrado e bruto. O mobiliário também foi feito para ser confortável e não esquentar.

“A ideia era levar as pessoas do calçadão para dentro do mar através da estrutura que já existia no antigo Alagoinhas, então todo o piso e todos os materiais iriam requerer muito contato. As pessoas iam sentar, iam caminhar sobre, iam contemplar a paisagem, então uma das estratégias principais foi a definição de materiais que tivessem um bom desempenho térmico diante de um sol muito forte”, explica.

3. Direção das Praias

O nome das praias homenageadas no Marco dos Corais é também uma calha iluminada. O material escolhido foi latão, por ser resistente. O design e as fontes das letras foram muito discutidos até o resultado final.

“Foi pensado também ali como fazer a marcação desses nomes de uma forma que ficasse eternizado ali, sem necessidade de manutenção. Isso foi todo um trabalho gráfico misturado com prototipagem. A gente conseguiu unir a ideia da iluminação do nome das praias à noite nessa faixa com um desenho que tivesse um painel de LED por trás. Aquilo é drenagem também, então são várias coisas em uma só”, conta.

4. Rosa dos Ventos

A Rosa dos Ventos foi inspirada na matemática dos ouriços. A casca desse animal vista de cima tem um padrão de proporção áurea, onde cada extremidade tem um ponto de fibra ótica para iluminar. Thiago Angeli explica todo o processo.

“Observando a casca do ouriço, ela tem aqueles pontinhos que visto de cima tem uma geometria. Todas as espécies naturais têm um padrão de crescimento matemático que obedece a proporção áurea. Então a gente resolveu estilizar um pouco esse desenho planificado em um desenho bidimensional, e aí veio a ideia de fazer ela iluminada com bolachas de concreto. A gente tinha uma quantidade de pontos de fibra óptica específico para iluminar cada uma das bolinhas. As pessoas podem pisar, não tem energia elétrica. A fonte de energia fica muito distante, então oferece total segurança para os usuários”.

5. Mirante & Passarela

Você sabia que o mirante não estava no projeto original? Aquele quadradinho do fundo era uma ruína que seria demolida, mas no fim a estrutura antiga foi mantida, com um piso vazado por cima. “O Rodrigo Perdigão, que era o engenheiro da obra, perguntou pra gente se iríamos derrubar. Mas demos uma olhada, dissemos ‘Vamos manter isso daí’. Consultamos o calculista e desenhamos aquele aquele mirante ali, que foi incorporado à ideia”.

A passarela também exigiu muita atenção. Depois de diversos testes, foi feita com alumínio estrutural, que não estraga com a maresia e também é antiderrapante. “A gente fez todo aquele desenho diagonal e retas verticais, revestido de chapa perfurada, que conseguiu dar a transparência similar ao vidro. É um piso adequado para as pessoas não escorregarem, mesmo na chuva, porque a água escorre direto pelos pela chapa perfurada.”

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *