16 de abril de 2024

Descubra o sertão alagoano: Piranhas e Ilha do Ferro encantam turistas brasileiros e internacionais

Foto: Instagram Visite Piranhas

Por Alice Renise

Se você é daquelas pessoas que acreditam que a beleza de Alagoas se limita às praias incríveis, é hora de ampliar os horizontes e partir para uma jornada mágica no interior do estado.

No coração do sertão alagoano, entre cactos, casas coloridas no mais autêntico estilo sertanejo – sem falar na imponente presença do Rio São Francisco -, as cidades de Piranhas e Ilha do Ferro desafiam todas as expectativas com suas paisagens de tirar o fôlego e uma união curiosa de riquezas em meio ao semiárido. Na região, a arte, cultura, natureza e gastronomia se unem ao cenário rústico para conquistar viajantes do Brasil e do mundo.

Foto: Ascom Sedetur

Piranhas: o cenário do cangaço

Dos peixes, Piranhas ganhou o nome. Do Rio São Francisco, todo o lugar ganha vida. A cidade fica às margens do Velho Chico, onde as lendas se confundem com a história de todo o nordeste brasileiro. Foi por ali que passou Dom Pedro II, em uma viagem marcante pelo país, e também foi o derradeiro acampamento em que a saga de Lampião e Maria Bonita chegou ao fim.

O cinema e a televisão já descobriram o cenário, com novelas e filmes famosos gravados ali, como “Velho Chico”, “Mar do Sertão”, “Deus é Brasileiro” e mais recentemente, a continuação do longa, “Deus Ainda é Brasileiro”. O sítio histórico e paisagístico foi tombado como Patrimônio Histórico e Artístico do Brasil e é o destino perfeito para uma jornada pelo imaginário e simbolismo do sertão.

Falando nisso, o ponto de partida dessa visita é explorar o Museu do Sertão na antiga estação ferroviária, que abriga exposições permanentes relacionadas ao cangaço, à navegação a vapor e à cultura sertaneja. Conheça também Igreja de Santo Antônio de Lisboa, construída em 1790, é um destaque arquitetônico que vale a pena conferir.

Se durante o dia, o centro histórico de Piranhas oferece diversas opções para relaxar, como bares à beira do rio e áreas para banho, é à noite que a boemia toma conta. O centrinho iluminado ganha um charme adicional, especialmente com apresentações do grupos culturais com direito, é claro, a muito forró.

Arroz beato conselheiro do Nalva Cozinha Autoral — Foto: Rui Nagae / Divulgação

A culinária sertaneja brilha por lá, com experiências únicas para sair do comum. Já imaginou comer um hot bode? Terrine de rabada? Acarajé sertanejo? Cerveja de cacto? Da gastronomia criativa à comida raiz, você pode mergulhar num universo de sabores da região. O Nalva Cozinha Autoral, um dos restaurantes do chef Antonio Mendes Jr., que saiu de Maceió para abraçar as delícias do sertão, é imperdível.

A viagem não está completa sem navegar de barco pelo Velho Chico. A cidade de Piranhas vai ficando para trás, dando lugar aos cânions impressionantes, numa paisagem que é seca no verão e tomada pelo verde no inverno. Para embarcar é muito simples, na orla sempre tem barco ou catamarã aguardando pelos turistas.

Para os curiosos ou mais aventureiros, outro passeio é a Rota do Cangaço, trilhas que vão até o local onde o bando de Lampião foi derrotado pela polícia, a Grota do Anjico. Com caminhos entre 700m até 3,4km, escolha a rota que mais se adequa ao seu nível de disposição (ufa!) e faça essa viagem no tempo.

O artesão Vavan / Foto: Cantão

Ilha do Ferro: O Paraíso da Arte Popular

Saindo de Piranhas, aventure-se no Rio São Francisco para chegar à Ilha do Ferro. O povoado do município de Pão de Açúcar é o epicentro da arte popular de Alagoas, onde mestres artesãos trabalham a madeira da caatinga para criar peças impressionantes. O clima pitoresco, o povo acolhedor e o charme criativo da simplicidade fazem de lá um dos lugares mais encantadores do Brasil.

Foto: Theresa Ebrahim

A história do vilarejo é tão única quanto sua produção artística. Tudo começou em 1985, quando os moradores locais buscavam a chegada da energia elétrica. Nesse processo, uma árvore de mulungu foi derrubada, e sua madeira espalhada na entrada do povoado. Foi aí que um morador, Fernando Rodrigues, teve a ideia de utilizar essa madeira para criar bancos para seu espaço de confraternização.

E foi assim que os rumos da Ilha do Ferro sopraram para outros ventos, pois a originalidade das peças feitas com a madeira de mulungu gerou um novo ofício e se tornou a marca do local. As obras de Fernando e do Ateliê Boca do Vento, que surgiria mais tarde, foram expostas em locais renomados, como o Grand Palais, em Paris, e hoje fazem parte de acervos importantes, perpetuando o legado cultural do povoado.

Boa Noite, bordado típico da Ilha do Ferro / Foto: Reprodução

Além dos trabalhos em madeira da caatinga, dos mestres Roxinha, Vandinho, Petrônio, Zé Crente, Vavan e Aberaldo, não deixe de admirar os bordados Boa Noite, um trabalho riquíssimo que é característico por apresentar desenhos das casas e barcos da região.

Casa da Estrelinha / AirBnb

Hoje, o lugar já conta com várias hospedagens, mas nossa dica é uma das charmosas casas de aluguel, como a da Estrelinha. Maria Amélia Vieira, à frente da galeria Karandash, não só foi uma das primeiras a apostar nesse celeiro de artistas e no potencial turístico do lugar, como a proporcionar uma experiência de hospedagem artística e inspiradora, com as Casas Ilha do Ferro.

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