19 de março de 2020

Design sustentável e alagoano: conheça o Cobogó Sururu da Mundaú, assinado por Marcelo Rosenbaum e Rodrigo Ambrósio

Patrimônio Imaterial de Alagoas, o sururu é um dos ícones da identidade local que tem se ressignificado de forma sustentável – além de ser uma referência na culinária, é fonte de renda para muitas famílias. O molusco, que possui uma concha que usualmente é descartada, tem despertado a atenção para novas possibilidades – a mais recente foi inspirada pelo A Gente Transforma, liderado pelo Marcelo Rosenbaum, uma iniciativa integrada ao projeto Maceió Inclusiva Através da Economia Circular, coordenado pela Prefeitura de Maceió.

Para o projeto, Rosenbaum convidou o designer alagoano Rodrigo Ambrosio e, nessa collab, eles desenvolveram o “Cobogó Sururu da Mundaú”, lançado na Exporevestir 2020, em São Paulo, na feira Portobello, uma das principais empresas de revestimentos e cerâmicas do País.

Referência em projetos de sustentabilidade e design super autoral, Ambrosio contou ao Refresh sobre o processo de produção do cobogó que, após a típica pesca e cata do molusco, tem suas conchas lavadas, trituradas e agregadas a uma massa.

“A massa, com 70% de conchas, é moldada e os cobogós, já prontos, são escovados um a um. O processo artesanal valoriza a cadeia imaterial do sururu. É feito manualmente e coordenado pelo artesão Itamácio dos Santos, que desde os 18 anos já empreendia informalmente na produção de caqueiras de cimento e, a partir desse trabalho, desenvolveu técnicas próprias que contribuíram na execução do novo produto, que empregou outros moradores do Vergel do Lago na atividade”, entrega o designer.

O produto de identidade alagoana e agora com grande característica internacional possui recorte vazado em formato orgânico, que remete ao sururu. Sua superfície reflete o brilho furta-cor da concha em um duo encantador de roxo e verde, além de muitos outros tons indescritíveis. A ressignificação dessa riqueza do Estado pode ser inserida em projetos arquitetônicos em geral, e o elemento vazado é muito utilizado para ventilação e iluminação.

A Portobello Shop fará a comercialização das peças, que estarão disponíveis no segundo semestre e serão adquiridas diretamente da comunidade. O empreendimento é uma forma de impulsionar o desenvolvimento de modelos de economia circular, de criar oportunidades para o desenvolvimento social e gerar renda para quem mora na região periférica e participa desse projeto tão inovador.

O projeto O Maceió Inclusiva Através da Economia Circular é coordenado pela Prefeitura de Maceió, por meio da Semtel, em parceria com o IABS e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que tem como principal objetivo promover melhorias na qualidade de vida da população dedicada às cadeias mais tradicionais da economia local (sururu e peixes) e impulsionar o desenvolvimento de modelos de economia circular na capital. Além disso, as ações do projeto visam tornar o sururu um produto de alta qualidade, que possa ser utilizado para a exportação nacional e internacional.

Uma iniciativa inspiradora, hein? O Refresh deseja muito sucesso!

Fotos: Acervo

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