8 de outubro de 2022

No dia do Nordestino, Júlia Nogueira, a Ser’tão, mostra que veio para revelar ao mundo a beleza da nossa região 

Por Brenda Guerra

Hoje, 08 de outubro, é o Dia do Nordestino e, para mostrar pra vocês como essa terra é rica, conversamos com Júlia Nogueira, artista que está à frente do ateliê Ser’tão Encantado, colorindo Alagoas e o Brasil inteiro com suas estampas e formas.

A paixão pelo sertão surgiu desde quando a maceioense era muito pequena: foi seu avô materno que apresentou a ela um livro de xilogravura que contava a história do cangaço; uma faísca acendeu e o encanto dessa região ficou marcado na sua memória. Ao viver uma imersão na Ilha do Ferro, sua admiração pelas indumentárias cangaceiras e pelo universo nordestino aflorou mais ainda.

Sempre em contato com a arte, a designer gráfica cresceu pintando com sua mãe, que colore de porcelanas a telas a óleo. Foi se inspirando em suas vivências e na sua forte conexão com a espiritualidade que surgiu essa marca tão querida e que vem com o intuito de exaltar a beleza do sertão.

A Ser’tão Encantado foi a minha necessidade de tirar o sertão do lugar de pobreza; as pessoas remetem muito à isso. Mas o Sertão é muito além, é muito rico, alegre, vivo e colorido”, conta Julia, que busca criar um imaginário diferente acerca do nome “sertão”. O objetivo é fazer com que deixem de enxergar apenas tristeza e chão rachado e passem a ver toda a beleza e riqueza desse lugar, que é lar de pessoas verdadeiras, originais e que possuem um olhar de pureza e um sorriso no rosto. 

E por que “Ser’tão”?

O apóstrofo depois de “Ser” surge exatamente para isso, para enaltecer o SER, a sensação, a profundidade e toda a potência existente no sertão, se ser e ser sertão. 

O couro e a madeira são os principais elementos utilizados nos produtos da marca, que além das belas sandálias Xô Boi, possui uma linha de mobiliário em colaboração com o mestre artesão Jasson, de Belo Monte.  

E por falar em collab, a Ser’tão fez um trabalho belíssimo com a C&A. A gigante do fast fashion passou um ano pesquisando artistas nordestinos e Julia foi escolhida para desenvolver uma coleção baseada em sua arte, lifestyle e forma de expressão.

“Foi uma experiência incrível, a equipe do criativo da C&A foi maravilhosa comigo. Quando aceitei a proposta, eles vibraram muito”, relembra a artista. Foram 10 meses de trabalho e muitas idas à São Paulo e, assim, nasceu essa coleção, feita em equipe com muito amor e intensidade.

A artista se emociona ao falar de sua trajetória e relembrar os perrengues que já passou: foi pra São Paulo, trabalhou na rua, morou em uma ocupação num prédio abandonado com mais de 60 artistas do Brasil inteiro. Ter sido tão bem recebida e valorizada como foi  pela C&A, foi como se o universo estivesse dando a ela um presente. “Ter meu trabalho espalhado por todo o país é surreal, a ficha ainda está caindo”, diz Julia. Com grande aceitação, a coleção está fazendo o maior sucesso, com peças que esgotaram na primeira semana de vendas.

E para os nordestinos e o mundo, Júlia tem uma mensagem especial: precisamos parar de diminuir o que é nosso. “A gente tem uma mania de não valorizar toda essa beleza que temos, a essência, a raiz. Eu sinto isso porque eu carrego uma marca que vende uma Xô Boi, que é uma sandália que o cangaceiro usa, que existe há muito tempo. Queria muito que as pessoas valorizassem realmente a nossa terra, porque até hoje a maior parte do meu público não é de Alagoas, é de São Paulo, é do Rio”, fala a artista.

Julia também é apaixonada por pintar murais. “Quanto maior for o muro, melhor”, brinca ela. E quanto maiores forem os desafios, melhor também, porque a Ser’tão não tem medo de voar e está alcançando cada vez mais espaço no Brasil e no mundo. Por isso, nunca se esqueça: tenha orgulho do Nordeste, tenha orgulho de você e acredite em seus sonhos!

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