17 de maio de 2024

Alagoas no Salão do Móvel de Milão: artista Geovana Clea brilha com exposição individual sobre o sertão

Foto: Emanuele Scilleri

“Em cada pedaço desse chão, há uma história a ser contada”. Foi com as veias entrelaçadas do solo do Sertão em mente que a artista alagoana Geovana Cléa tirou a inspiração para desenvolver a exposição que a levou para a edição deste ano do Salão do Móvel de Milão. Esta é sua quinta participação no Salone, onde a brasileira radicada na Itália mostra um pouco da cultura da sua terra e trajetória através da arte.

Também conhecido como Salone del Mobile, esse é o maior evento da semana de design de Milão, um dos maiores de arte, design e arquitetura do mundo.

Parceria com Swarovski e Galbiatti Fratelli

Intitulada “Sertões“, a mostra reúne obras inéditas da série “Chão Rachado”. As peças são inspiradas na aridez sertaneja e criadas com barro natural italiano da região da Emília-Romanha, recolhido pela artista. Os detalhes impressionam, com minúsculos cristais Swarovski. A alagoana faz parte do seleto grupo dos três artistas no mundo certificados pela empresa para usar os cristais em suas obras.

A exposição em Milão foi uma parceria com a Galbiati Fratelli, empresa familiar italiana de mobiliário handmade que, desde 1963, trabalha com ottone, um metal feito a partir de dois componentes naturais retirados da natureza. “Eles abraçaram a causa e o projeto, inclusive apresentaram sofás em forma de gaiolas abertas com passarinhos livres, sempre em tema da liberdade que existe para os passarinhos que voam livremente no Sertão. Passaram-se quatro anos desde o primeiro convite da Galbiati para expormos juntos no Salão do Móvel, e finalmente este ano conseguimos”, conta Geovana.

Foto: Emanuele Scilleri

Da Ilha do Ferro para a Itália

Antes de chegar à Itália, Geovana apresentou as obras no início deste ano na galeria DOM, na Ilha do Ferro. “Foi uma escolha íntima optar pelo Sertão para fazer a primeira exposição no meu país, e todo o barro foi colhido no próprio Sertão. Aqui no Salão do Móvel, foi a continuação dos sertões da Ilha do Ferro”, explica.

Ela também fez uma exposição na Giorgio Collection este ano, continuando uma colaboração de quase quatro anos, com obras que falam das rochas, vulcões, florestas à noite e chuva sobre as rochas.

Foto: Emanuele Scilleri

Cada obra, uma homenagem

Nascida no município de Inhapi (AL), a alma sertaneja é inspiração para cada expressão da artista, dos materiais até os nomes das obras. Cada peça é intitulada com o nome de figuras importantes do Sertão. “Penso que, através delas, outras pessoas possam ser representadas. Na continuação da série ‘Chão Rachado’, as obras continuam a ter nomes de pessoas que conheci e que fizeram parte da minha vida”, revela.

Falar do Sertão, para Geovana, é falar de si mesma e de quem realmente vive a realidade do campo com amor e gratidão. “Percebi que se fala muito do Sertão, mas quem é realmente de lá é quem sabe o que é ser um sertanejo. A última vez que fui ao Brasil, percebi que ele tá na moda, mas a minha alegria é ver quem é raiz, quem nasceu, cresceu e viveu lá, traduzir a própria alma em arte. Por isso, quero nos próximos anos incentivar e apoiar os artistas desconhecidos que estão por lá de forma anônima”, conta.

Sons que inspiram

Que tal mergulhar no universo encantador dos sertões de Geovana Cléa? As exposições contam com uma trilha sonora dedicada no Spotify, onde estão todas as músicas contempladas durante o processo criativo por aqueles que visitaram a mostra. Confira!

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