20 de outubro de 2026

Marta Torres estreia Memorarium em Nova York e leva Sweet Suite California a festival brasileiro em Los Angeles

Curta protagonizado pela atriz e cineasta teve estreia mundial no Chelsea Film Festival no último sábado (17)

Foto: Divulgação

Uma brasileira, duas cidades americanas e uma pergunta que atravessa os dois filmes: o que as telas estão fazendo com a nossa memória e com quem a gente é? A atriz e cineasta alagoana Marta de Oliveira Torres vive uma reta final de 2026 agitada nos Estados Unidos.

No último sábado (17), Memorarium, curta em que é protagonista, teve sua estreia mundial no Chelsea Film Festival, em Nova York. No início de novembro, ela desembarca em Los Angeles com Sweet Suite California, que escreveu, dirigiu, produziu e protagoniza, na seleção do LABRFF, o Los Angeles Brazilian Film Festival.

Os dois trabalhos formam uma sequência artística sobre o impacto das novas tecnologias no comportamento humano, nas memórias e nas identidades.

Nova York: memórias sob encomenda

Dirigido por João Castro, Memorarium é uma produção carioca de 11 minutos. A sessão aconteceu na Regal Battery Park, em Manhattan, no programa de curtas The System, da 14ª edição do festival. Memorarium foi inscrito na categoria de curtas internacionais.

Na trama, Marta vive Roberta, uma mulher no limite que, num prédio abandonado, recorre a um serviço misterioso que promete acesso a memórias do passado. O ator Marcus Liberato divide a cena com ela. A tecnologia funciona como metáfora: o filme investiga como lembranças e identidades podem ser mediadas, reorganizadas e reativadas.

A ligação de Marta com o Chelsea vem de antes. Em 2024, o festival exibiu Virtualidade, curta experimental que ela dirigiu, roteirizou, produziu, fotografou e protagonizou ao lado do ator Alan Pellegrino. Sem diálogos e com trilha clássica, o filme acompanha dois personagens que se conhecem por um aplicativo fictício, o Socialverse.

Além do Chelsea, Virtualidade recebeu o Best Staff Pick do Around International Film Festival, em Paris, passou pelo NOX Film Fest, no Uruguai, e, em junho deste ano, entrou na mostra DIGO Prompt do Festival DIGO, em Goiânia.

Esta foi a quarta vez que Marta levou filmes a Nova York, duas delas com A Missão Encantada, curta premiado que mergulha em saberes ancestrais sul-americanos.

Para a cineasta, voltar ao festival teve sabor especial.

“Já tinha realizado o sonho de ver meu filme naquele cinema magnânimo; o retorno é uma alegria ainda maior porque já sei o quanto o Chelsea Film Festival é incrível e sinto minha arte acolhida em Nova York!”, diz.

E emenda: “Memorarium nos convida a refletir sobre como as memórias estão sendo reordenadas pelas novas tecnologias. É um tema urgente.”

Criado em 2013, o Chelsea Film Festival aposta em revelar realizadores, produtores e atores emergentes. Em 2019, apareceu em sexto lugar numa lista do USA Today com os melhores festivais de cinema da América do Norte, segundo o próprio evento.

Los Angeles: o sonho americano em versão surreal

Sweet Suite California (Doce Suite California) é um horror surrealista de 19 minutos, rodado inteiramente em Los Angeles. Marta interpreta Courtney, influenciadora estrangeira que chega à Califórnia com uma mala cheia de ilusões hollywoodianas e dá de cara com uma realidade bem menos doce. Vício virtual, saúde mental, exploração digital e imigração atravessam a jornada da personagem.

Produção independente de baixo orçamento, o curta reúne um elenco de sete países: Brasil, Rússia, Estados Unidos, Turquia, El Salvador, Honduras e República Dominicana. Ao lado de Marta estão Colby Kennedy, Areg Barsegian, Johanny Paulino, Oceana Christopher, Billy Minogue, Anastasiya Varanko e Roberto Gavarrete.

A pós-produção foi feita no Brasil: a montagem é do carioca Daniel Garcia, que já colaborou com Ruy Guerra e Cacá Diegues, e a trilha sonora é do pernambucano Lindemberg Oliveira.

O filme está entre os oito curtas internacionais selecionados para a 19ª edição do LABRFF, que acontece no início de novembro no Culver Theater, em Culver City. A programação abre com Feito Pipa, de Allan Deberton, escolhido pela Academia Brasileira de Cinema para tentar uma vaga no Oscar 2027 de filme internacional, e reúne ainda 22 curtas brasileiros. Segundo a assessoria, a sessão será a estreia mundial de Sweet Suite California.

Marta vê no festival a porta de entrada certa para o filme.

“A estreia no LABRFF em Los Angeles é ponto de partida ideal, por ser um dos mais importantes festivais brasileiros fora do Brasil”, afirma.

Telas, memória e autoexposição

Vistos em conjunto, os curtas desenham um percurso. Virtualidade questionava o que é real no mundo virtual e o que é ilusão na realidade. Memorarium leva a pergunta para as memórias, matéria-prima da identidade. Sweet Suite California avança para o terreno da imagem pública, com uma influenciadora que transforma a própria vida em conteúdo e descobre o que existe por trás da fantasia.

Para Marta, as duas estreias são um convite para que o público pense, junto, em como reagir aos desafios desse novo mundo tecnológico.

O próximo capítulo dessa conversa começa no início de novembro, em Los Angeles.

 

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