Tour da arte na Ilha do Ferro: 5 ateliês e artistas imperdíveis para visitar
Conheça os mestres e os novos talentos que fazem do povoado um dos maiores celeiros artísticos de todo o mundo.

Foto: Alice Renise/Refresh
Por Alice Renise
Se um povoado que nem é ilha nem tem ferro ganhou esse nome, é porque algum dia alguém deu asas à imaginação na hora de nomeá-lo. Tal qual um artista sertanejo, que sai pela mata e imagina arte onde uma pessoa comum não vê nada além de um pedaço da natureza. A matéria-prima da Ilha do Ferro não é nenhum minério. Toda riqueza que existe naquela pequena vila nasceu das árvores da caatinga e dos troncos mortos que viram ouro nas mãos que esculpem e pintam bichos, carrancas, barcos, bancos e qualquer outra coisa que der na telha.
O mestre Fernando Rodrigues dos Santos foi o primeiro artesão que despertou o dom da artístico por ali. O poder visionário do agricultor, que aos 70 anos ganhou o mundo com suas peças, não só foi uma virada de chave na própria vida, como transformou a história de toda uma comunidade. Entre as ruas de casas coloridas reza a lenda que ele pregava a palavra da arte e convertia talentos escondidos de um por um. Hoje a Ilha do Ferro é reconhecida não só pelo Seu Fernando, mas como um dos maiores celeiros criativos do Brasil e do mundo.
Mais do que comprar peças, por lá é possível conversar com os artesãos e ter trocas genuínas com os próprios artistas em cada ateliê. A melhor experiência é ir sem pressa e deixar o tempo passar entre pinceladas, conversas e quem sabe até um cafézinho. Se você não sabe por onde começar esse tour, o Refresh te ajuda. Fomos até lá conferir de perto os cinco ateliês que você não pode deixar de conhecer. Vem ver!

Foto: Alice Renise/Refresh
Zé Crente
Se a Ilha do Ferro fosse um livro, as peças de Zé Crente seriam suas melhores histórias. Como um bom inimigo da timidez, ele pode passar horas te contando vários causos da vida. Inspiração não falta para criar esculturas singulares, com traços fortes e uma identidade visual que é reconhecida de longe. Sua marca registrada são as máscaras de madeira com formas de animais e cores fortes, perfeito para quem ama um toque divertido em itens de decoração. O ateliê simples em frente da sua própria casa é o melhor ponto de partida para esse tour. Foi o próprio Zé que nos guiou até o cantinho de seus colegas.

Foto: Alice Renise/Refresh
Petrônio
Petrônio transforma madeira em poesia visual. Suas esculturas são intensas e cheias de expressão, refletindo a cultura popular e o cotidiano sertanejo. O ateliê fica em seu próprio sítio, que por ser um pouco mais afastado do centrinho pode acabar passando despercebido. No entanto, essa é uma joia escondida que pode tranquilamente ser visitada a pé. O caminho é uma atração à parte, cercado de obras assustadoras feitas pelo próprio artista. Entre as peculiaridades, não se assuste se Petrônio der uma pausa no papo para se refrescar – ele dispensa o chuveiro para tomar banho no rio. De brinde, ele ainda ofereceu todo orgulhoso uma degustação direto dos pés da sua plantação. Goiaba, limão siciliano e até toranja em pleno sertão. Como não amar?

Foto: Alice Renise/Refresh
Mestre Aberaldo
Aberaldo Rodrigues é um dos nomes mais icônicos da Ilha do Ferro. Com um ar mais misterioso e até sofisticado, seu trabalho é marcado pela madeira esculpida sempre com um toque de poesia. Suas peças parecem carregar as histórias do Velho Chico dentro delas. Neto de um habilidoso mestre canoeiro que fazia canoas e filho de um poeta-sanfoneiro e carpinteiro, Aberaldo traduziu os dons da família inicialmente em barquinhos com vela de pano, mas hoje sua maior marca são as figuras humanas. Seu ateliê fica dentro da Pousada da Vana, um ambiente super agradável onde você pode não só olhar as obras, como passar a noite ou simplesmente tomar um café da manhã ou almoçar no restaurante.

Foto: Alice Renise/Refresh
Ateliê Farias
Dentro de uma casinha sem reboco no meio do centrinho da Ilha do Ferro, você pode encontrar uma grande surpresa. Em vez de tintas, no Ateliê Farias a especialidade é explorar os tons e texturas naturais das madeiras em formas humanas tão criativas quanto elegantes. Com uma abordagem moderna e, ao mesmo tempo, enraizada nas tradições locais, suas obras encantam pela precisão nos detalhes e pela delicadeza da execução.

Foto: Alice Renise/Refresh
Ateliê Yang da Paz
Os mestres abriram caminhos, mas a nova geração também vem dando um show nas obras. O Ateliê Yang da Paz é onde você encontra aquelas lembrancinhas perfeitas para levar para casa ou presentear. As criações misturam elementos naturais, texturas e cores vibrantes características da região. Filho do renomado Mestre Petrônio, Yang da Paz segue os passos da família enquanto desenvolve sua própria identidade.

Foto: Alice Renise/Refresh
Bônus: Casa da Ilha – Galeria & Antique
A melhor forma de se conectar verdadeiramente com a Ilha e adquirir as peças realmente é indo em loco no ateliê de cada artesão. No entanto, se o tempo estiver curto e você quiser conferir um pouco de tudo, a Casa da Ilha é o lugar certo. A galeria reúne obras de vários artistas locais, além de antiguidades e até um bistrô, tudo isso bem na entrada do povoado.
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