O guia definitivo do que a sua marca NÃO deve fazer no Mês da Mulher
Como evitar clichês, oportunismo e transformar discurso em compromisso real

Todo ano parece que as marcas resolvem seguir o mesmo roteiro batido e sem propósito quando chega março: mudam a logo para roxo, fazem um post genérico com flores e finalizam com um “parabéns às guerreiras”.
Além de cair no clichê, esse tipo de mensagem transmite algo ainda pior: a impressão de que a marca não tem compromisso verdadeiro com a pauta e que só está tentando marcar presença na conversa para não perder o timing.
E o público hoje, mais engajado e ativista do que nunca, percebe na hora.
Se você não quer que a sua marca vire um case cringe nas redes, com direito a textão no LinkedIn, seguem algumas dicas do que não fazer no Mês da Mulher.
1. Pintar o feed de roxo e achar que isso é grande coisa
É literalmente comunicar que esse é o máximo de importância que a sua marca dá à pauta.
Mudar a identidade temporariamente pode até parecer simbólico, mas, quando essa é a principal ou única ação da marca, a mensagem é clara.
A data pede ações concretas. “Maquiar” o perfil só abre espaço para a marca ser taxada de oportunista.
2. Dar palestrinha sobre liderança feminina… e não ter líderes mulheres
O branding da sua empresa começa de dentro para fora.
Se o discurso sobre empoderamento e equidade já não é válido internamente, a marca corre um risco estratégico e, uma hora ou outra, vai ser exposta.
Ser realista também é uma forma de autenticidade: às vezes, comunicar que a empresa está em processo de transformação é mais honesto do que posar de referência.
3. Apostar em estereótipos visuais ultrapassados
Flores, batom, silhuetas delicadas, corações, paleta lilás obrigatória: esses elementos clichês colocam as mulheres como símbolos frágeis e reforçam exatamente a noção distorcida de feminilidade que a data busca combater.
As peças visuais devem transmitir equidade, potência, espaço e reconhecimento. Caso contrário, pode ser que a sua marca esteja reforçando o problema em vez de contribuir para a discussão.
4. Reduzir a data a promoções “especiais para elas”
O propósito do Mês da Mulher é ampliar o debate sobre equidade de gênero e discriminação, não criar apenas um calendário promocional temático.
Além de a maioria dessas promoções serem altamente estereotipadas (combo em salão, cupom de maquiagem), elas reduzem o mês a uma lógica superficial de consumo.
5. Usar frases prontas
Frases como “lugar de mulher é onde ela quiser” ou “juntas somos mais fortes” como parte central da mensagem são genéricas e mostram que a marca não se conecta verdadeiramente com a pauta.
Ainda mais quando não existem ações que realmente sustentam esse discurso.
O público atual valoriza marcas que demonstram coerência entre discurso e prática. Sem iniciativas reais, a comunicação soa vazia.
6. Só abordar a causa no mês de março (ou, pior, no dia 8)
Se a pauta desaparece no dia 9, a mensagem fica clara: a marca só não queria “ficar de fora”.
Hoje, consumir também é levar em consideração os valores e o compromisso contínuo de uma marca antes de escolher onde comprar, trabalhar ou investir.
Aqui estamos falando de posicionamento de longo prazo. Isso significa que as pessoas vão notar quando algo está sendo comunicado com propósito… ou só para aparecer.
Então, o que fazer em vez disso?
No fim das contas, saber comunicar com valor não é tão difícil quanto parece, mas exige responsabilidade.
O primeiro passo é entender que a data pede atos concretos, como:
- Dar palco para mulheres dentro e fora da empresa
- Firmar compromissos de longo prazo (metas públicas, políticas internas, programas estruturais)
- Mostrar dados confiáveis sobre avanços e desafios
- Escutar antes de comunicar; isso vale para colaboradoras, clientes e especialistas
A luta fala sobre ação e posicionamento, e a sua marca precisa entrar na conversa do jeito certo.
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