12 de outubro de 2026

Suor, bem-estar e novos amigos: quando wellness virou vida social

De clubes de corrida a comunidades de vizinhas, o wellness vem criando novas formas de conexão. Na Barra Nova, o Desafio das Lagunetes mostra como o bem-estar também pode aproximar pessoas.

O encontro começa com um treino, uma aula de pilates ou uma corrida em grupo. Depois, pode continuar diante de um matcha gelado, em uma mesa de café ou em uma conversa que se estende muito além da atividade física. Para quem participa, o exercício é apenas parte do programa. A outra parte é encontrar pessoas.

Essa combinação entre bem-estar e vida social aparece em diferentes formatos e cidades. Clubes de corrida, grupos de caminhada, encontros de yoga e eventos que misturam atividade física e gastronomia estão ampliando as possibilidades de socialização. O exercício deixa de ser apenas um compromisso individual e passa a fazer parte de uma experiência coletiva.

Em Alagoas, essa tendência também ganha espaço. Na orla de Maceió, grupos de corrida e encontros esportivos transformam a prática de atividades físicas em oportunidades de convivência. Já na Barra de São Miguel, a comunidade das Lagunetes mostra como esse movimento pode acontecer a poucos passos de casa.

No Condomínio Laguna, mulheres que compartilham o interesse por saúde e bem-estar passaram a se reunir para treinos e encontros, em uma iniciativa ligada à médica dermatologista Roberta Soriano. Dessa convivência nasceu o Desafio das Lagunetes, que organiza a experiência em uma jornada coletiva de atividades e metas.

Esporte, saúde e conexões

O relatório Year in Sport 2025, da Strava, registrou que o número de clubes criados na plataforma quase quadruplicou em um ano, chegando a 1 milhão. Os clubes de corrida cresceram 3,5 vezes, enquanto os grupos de caminhada também registraram expansão. Entre os integrantes da geração Z, há 39% mais pessoas do que na geração X que dizem usar o exercício para conhecer gente com interesses semelhantes.

A corrida é um dos exemplos mais visíveis dessa tendência. Grupos se encontram em parques e ruas, compartilham percursos e, muitas vezes, terminam a atividade em cafeterias e padarias. Em Londres, clubes como o Croissant Run Club combinam corrida e paradas gastronômicas. Em Nova York, o Peak & Pace mistura treinos com festas e outros eventos sociais.

O mesmo princípio aparece em outras modalidades. Aulas de pilates, encontros de yoga, grupos de caminhada e partidas de tênis criam oportunidades para encontrar as mesmas pessoas regularmente. A atividade oferece um assunto em comum e reduz a pressão de iniciar uma conversa do zero. Existe uma diferença entre conhecer alguém em um evento pontual e encontrar essa pessoa toda semana. A recorrência cria familiaridade, abre espaço para conversas e permite que relações se desenvolvam além da atividade que reuniu o grupo.

Uma pesquisa da Eventbrite sobre eventos presenciais nos Estados Unidos identificou que 84% dos participantes de encontros organizados em torno de interesses específicos disseram ter desenvolvido amizades próximas nessas experiências. O resultado não representa toda a população nem permite generalizações globais, mas ajuda a ilustrar como atividades compartilhadas podem favorecer vínculos.

Quando a comunidade começa dentro de casa

A experiência das Lagunetes ilustra como essa dinâmica pode surgir em um espaço cotidiano. Antes de se transformar em um desafio organizado, a comunidade se formou a partir da proximidade entre vizinhas e de interesses compartilhados em torno de saúde, movimento e qualidade de vida.

A relação construída por Roberta Soriano com essa comunidade ajudou a dar forma à iniciativa. O que acontece no Laguna não depende apenas de reunir pessoas para uma atividade isolada: existe uma convivência anterior, que cria oportunidades para novos encontros e experiências.

Na segunda edição do Desafio das Lagunetes, 50 mulheres são divididas em duas equipes e participam de uma programação de 21 dias. Treinos aeróbicos, musculação, metas individuais e desafios coletivos fazem parte da dinâmica. Cada participante acompanha a própria evolução, mas também contribui para a pontuação do grupo.

A estrutura introduz um componente de competição, mas a experiência vai além dos resultados. A programação cria compromissos compartilhados e momentos de encontro ao longo de três semanas. A atividade física funciona como ponto de partida para uma convivência que já existia e que ganha novas formas de acontecer.

É uma característica que aproxima as Lagunetes de outros grupos de wellness: o interesse comum reúne as pessoas, mas é a continuidade que pode transformar encontros em comunidade.

Entre o autocuidado e a vida social

A popularidade dessas iniciativas sugere uma ampliação da maneira como o bem-estar é vivido. O cuidado com o corpo continua importante, mas passa a dividir espaço com o lazer, a descoberta de novos lugares e a possibilidade de estabelecer relações.

Isso não significa que toda corrida precise terminar em um café ou que cada aula coletiva deva render uma amizade. O valor está justamente na possibilidade: ter um motivo para sair de casa, encontrar pessoas com interesses semelhantes e construir uma rotina que não seja exclusivamente individual.

Nas pistas de corrida, nos estúdios, nas cafeterias e até nos condomínios, o wellness vem criando novas ocasiões para estar junto. No caso das Lagunetes, essa experiência começa entre vizinhas e ganha forma em uma jornada compartilhada.

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