4 de novembro de 2026

Quem são os 11 artesãos de Alagoas entre os 100 melhores do Brasil no Prêmio Sebrae

• Vencedores de sete municípios, de mestres da madeira a bordadeiras do filé, foram homenageados pelo Sebrae Alagoas nesta terça (3)

Foto: Julio Vasconcelos

Tem galho de caatinga virando cadeira no sertão de Belo Monte, barro que vira cena do interior debaixo da jaqueira em Capela, bordado que conta as lendas do Velho Chico em Penedo e filé nascendo às margens das lagoas Mundaú e Manguaba. Foi dessa mistura, bem alagoana, que saiu o time que colocou o estado no pódio do artesanato brasileiro.

São 11 unidades produtivas de Alagoas entre as 100 vencedoras da 6ª edição do Prêmio Sebrae TOP 100 de Artesanato, considerado pelo Sebrae a principal premiação nacional do segmento. Com o resultado, o estado ficou em segundo lugar entre os que mais emplacaram nomes, empatado com o Piauí e atrás apenas de Minas Gerais, que somou 21. É o mesmo número de premiados que Alagoas teve na edição de 2022.

A concorrência foi pesada: segundo o Sebrae, a edição recebeu 1.647 inscrições, contra 1.208 em 2022, e premiou empreendimentos de 22 unidades da Federação. Só o Nordeste ficou com 44 das 100 vagas.

Nesta terça-feira (3), o Sebrae Alagoas reuniu vencedores, familiares e parceiros num café da manhã de homenagem. A solenidade também celebrou outros 16 artesãos alagoanos que chegaram à lista de 200 finalistas nacionais. Os troféus, produzidos pelo artesão alagoano Valentim, fazem referência ao barro, à madeira e ao filé.

Para o diretor-superintendente do Sebrae Alagoas, Domício Silva, é o artesanato que dá rosto a comunidades como a Ilha do Ferro e o Pontal, e os 11 representantes no TOP 100 são a prova da força cultural do estado.

E não é só beleza que conta ponto. O prêmio avalia também gestão, organização da produção, sustentabilidade, inovação e capacidade de comercialização. Por isso, na visão do diretor técnico do Sebrae Alagoas, Keylle Lima, o selo funciona como uma garantia para quem compra. Os vencedores podem usá-lo por três anos.

Mas, afinal, quem são esses talentos? A gente apresenta:

Mestre Jasson – Belo Monte. Aos 72 anos, Jasson Gonçalves Silva entrou no TOP 100 pela primeira vez. No sertão de Belo Monte, ele transforma galhos e troncos da caatinga em carrancas, pássaros e cadeiras ornamentadas que já foram vendidas para vários países. Na homenagem, emocionado, agradeceu o apoio do Sebrae: “Eu não esperava chegar aonde cheguei”.

O mestre Jasson, de Belo Monte. Foto: Julio Vasconcelos

Ateliê Boca do Vento – Ilha do Ferro, Pão de Açúcar. À frente do ateliê, Camille Souza mantém vivo o legado do avô, o saudoso Fernando Rodrigues, apontado pelo Sebrae como um dos primeiros artesãos da Ilha do Ferro. “É ver reconhecida uma história que começou com o meu avô”, resumiu.

Mestre Aberaldo – Ilha do Ferro, Pão de Açúcar. Aberaldo Sandes Costa Lima aprendeu o ofício com o pai, carpinteiro que fazia canoas para os pescadores da região. Começou com barquinhos que as crianças botavam para navegar no São Francisco e foi pioneiro na produção de ex-votos, as esculturas de partes do corpo oferecidas aos santos como pagamento de promessa. Hoje é conhecido pelos barquinhos, bonecos e pássaros de madeira.

Associação Ilha das Artes – Ilha do Ferro, Pão de Açúcar. Formalizada no início de 2023, a Associação de Artesanato em Madeira da Ilha do Ferro reúne artesãos da madeira do povoado e toca o Reflorilha, projeto que planta mudas nativas da caatinga para garantir matéria-prima às próximas gerações. Em dezembro de 2024, segundo o Sebrae, eram 37 associados, sob a presidência de Yang da Paz.

Pontos e Contos – Penedo. A Associação de Inclusão Social Bordadeiras de Penedo leva para roupas e peças de casa as histórias, as lendas e o cotidiano ribeirinho do São Francisco. Em 2024, uma peça do grupo foi selecionada para um desfile da New York Fashion Week. Segundo a presidente, Francisca Lessa, esta é a quarta vez que a associação entra no TOP 100: “São os 100 melhores artesanatos do Brasil”.

Fulô.A – Penedo. No povoado Murici, zona rural de Penedo, Ana Cristina Ferreira Santos lidera um grupo de mulheres que borda casas, flores, pássaros e paisagens do cotidiano alagoano. É a segunda vez no TOP 100. Na homenagem, ela contou que criou a peça vencedora em meio a um problema de saúde, trabalhando mesmo com dor.

Cooperativa dos Artesãos da Barra Nova – Marechal Deodoro. Às margens da Lagoa Manguaba, a Cooperativa de Trabalho dos Artesãos da Barra Nova foi fundada em 2004 e hoje é formada só por mulheres. A base é o filé, e, segundo a presidente, Lindinalva Camargos, a produção já chega ao exterior.

Inbordal – região das lagoas. O Instituto Bordado Filé da Região das Lagoas Mundaú-Manguaba foi responsável por solicitar e obter, em 2016, o registro de Indicação de Procedência concedido pelo INPI ao filé produzido na região. O reconhecimento valoriza a origem geográfica e a tradição do bordado em seis municípios alagoanos: Maceió, Marechal Deodoro, Santa Luzia do Norte, Coqueiro Seco, Pilar e Satuba.

Minha Casa de Taipa – Marechal Deodoro. Sthefany Torres, da Minha Casa de Taipa, vê no prêmio o reconhecimento do trabalho que vem fazendo, uma conquista que, segundo ela, é ao mesmo tempo profissional e pessoal.

Sil da Capela – Capela. Ex-cortadora de cana, Maria Luciene da Silva Siqueira descobriu a cerâmica numa oficina do Mestre João das Alagoas. Suas cenas da vida no interior, com a jaqueira da infância quase sempre por perto, já passaram por galerias de Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro. Em abril, foi escolhida para representar os artesãos alagoanos na Semana de Design de Milão, com a coleção Alagoas Plural.

André Felipe – Teotônio Vilela. Neto de um mestre de guerreiro, André Felipe Messias dos Santos cria máscaras com argila, madeira e papel, muitas delas em papietagem, massa de polpa de papel, goma de tapioca e argila. Bichos da fauna brasileira e personagens ligados à história do Quilombo dos Palmares estão entre as inspirações. Ele credita a inscrição à insistência da analista Sidartha Nogueira, do Sebrae em Penedo, que, nas palavras dele, acreditou no seu talento mais do que ele mesmo.

O artesão André Felipe. Foto: Julio Vasconcelos

Anota esses nomes: da próxima vez que procurar um presente com a cara de Alagoas, você já sabe por onde começar.

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