16 de maio de 2022

Dia do Gari: conheça o maratonista que corre 21km todos os dias para ir ao trabalho

Por Alice Renise

Percorrer longas distâncias, enfrentar sol e chuva, correr muito, ultrapassar obstáculos e ser forte para aguentar uma rotina pesada. Poderíamos estar descrevendo o dia-a-dia de um atleta, mas e se a gente te contar que estamos falando de um gari? Pois é, no Dia do Gari, vamos te mostrar que as duas carreiras se parecem mais do que você imagina.

Foi trabalhando como gari em Maceió que Cristiano Gregório, de 47 anos, notou essa semelhança e resolveu praticar um esporte. “Comecei a correr tarde, aos 28 anos. Gostava muito de jogar bola, já saía de casa correndo para o campo. Mas você sabe como é futebol, sempre rola uma confusão. Foi aí que procurei um esporte individual. O que eu mais gosto na corrida é que eu só dependo de mim para praticar“, conta.

A primeira competição foi difícil, ficou bem longe de ganhar pódio. Na segunda corrida, foi para o nível iniciante e assim já se animou mais: ficou em terceiro lugar. Depois resolveu enfrentar corridas profissionais e aos poucos foi conquistando os primeiros pódios. A Corrida do Gari ele tira de letra, foi campeão de duas edições.

Através do esporte ele conseguiu realizar sonhos. Ao ganhar algumas corridas, ele teve a oportunidade de ir a São Paulo três vezes com tudo pago. “Quando passava um avião eu pensava ‘meu Deus, será que um dia vou poder viajar?’ e com a corrida eu viajei”. Depois, Cristiano foi mais uma vez a São Paulo para concluir a Corrida de São Silvestre, dessa vez por conta própria.

Cristiano já foi roçador e hoje é coletor na parte alta da cidade. Segundo ele, boa parte dos treinos é durante o próprio expediente. Todos os dias faz séries de levantamento de resíduos, lançamento de sacolas, salto para o caminhão de lixo e corrida pelos bairros. “A pessoa trabalha correndo com bota, roupa pesada, aí quando chega na corrida é moleza demais”, explica.

Além disso, ele também corre nas folgas, aos domingos, e quando quer treinar mais ainda dispensa o ônibus para ir ao trabalho correndo. Cristiano sai do Riacho Doce às 6h da manhã e chega cerca de 7h na base da empresa, que fica no Clima Bom. São 21km de distância, equivalente a uma meia maratona. Para ele, é muito melhor ir andando do que ir de ônibus. “Vinham me oferecer dinheiro emprestado para a passagem e eu dizia que estava a pé porque eu gostava. O povo não entendia”, ele se diverte ao lembrar.

É assim que Cristiano cuida da saúde, da mente e incentiva outros colegas a fazerem o mesmo. Perto dos 50 anos, diz que tem um fôlego melhor que os garotos de 18 e que já se acostumou com as vitórias, mas sempre mantém a humildade: “Não sou bom, sou esforçado e gosto do que faço. Quem gosta do que faz, vai muito longe.”

Parabéns a todos os profissionais que, como Cristiano, enfrentam uma rotina digna de atleta para deixar nossa cidade sempre limpa e linda.

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