
Dos solos áridos de Inhapi para um dos maiores eventos de design e arte do mundo, a artista Geovana Cléa vive mais um capítulo internacional de sua trajetória artística. A alagoana participou da edição 2026 do Salone del Mobile Milano, na Itália, enquanto mantém simultaneamente exposições abertas em São Paulo e Trancoso com a série “Sertões”, pesquisa que atravessa memória, natureza e território.
Radicada na Europa há mais de duas décadas, a artista retorna ao Salone del Mobile pela sétima edição consecutiva. Neste ano, ela apresentou duas frentes complementares de sua produção na Rho Fiera Milano. Como artista exclusiva da Giorgio Collection, ela exibe uma coleção inspirada em forças da natureza, como pedras, vulcões, florestas e água, em composições que dialogam com design contemporâneo, matéria orgânica e sofisticação.

Paralelamente, Geovana apresenta, pela terceira vez no Salone del Mobile, a série “Sertões”, em colaboração com a Galbiati. Nesta edição, a mostra ganha formato de exposição individual e aprofunda a narrativa construída a partir das memórias da infância da artista no Sertão brasileiro.
Produzidas em barro vermelho, preto e marrom, as obras recriam visualmente o fenômeno do “chão rachado do Sertão”, transformando fissuras, secas e marcas da terra em superfície artística. A pesquisa também incorpora areia, elementos orgânicos recolhidos na natureza e pequenos cristais Swarovski inseridos como grãos sobre o barro.
Vivendo entre o Brasil e a Itália, Geovana também utiliza em suas obras barros coletados nas margens do rio Trebbia, aproximando paisagens europeias das lembranças do Sertão brasileiro. A relação entre território, matéria e pertencimento continua atravessando sua produção mais recente.

Sertões entre Milão, São Paulo e Trancoso
Além da participação oficial no Salone del Mobile, Geovana Cléa também apresenta uma exposição individual privada durante o Fuorisalone, no centro de Milão. A mostra será acessível apenas para convidados e reunirá obras anteriormente exibidas em homenagem à cidade natal da artista, Inhapi.
No Brasil, a série “Sertões” segue aberta ao público em dois importantes espaços culturais. Em São Paulo, as obras estão em exposição na G Gallery, levando a poética visual do Sertão para uma das principais capitais culturais do país.
Já em Trancoso, os trabalhos ocupam a galeria Hugo França, em um diálogo entre arte, paisagem e natureza.
As novas obras da série também incorporam esculturas inspiradas nas árvores da caatinga e em brincadeiras da infância, como bolinhas de peteca e de gude, ampliando as referências afetivas presentes na pesquisa.

Trajetória internacional
Com 28 anos de atuação nas artes visuais, Geovana Cléa construiu uma trajetória ligada à pesquisa de materiais naturais, memória afetiva e identidade territorial. Além das artes visuais, a artista também atua como poetisa e escritora, expandindo para diferentes linguagens a relação com a terra e com as narrativas do Sertão.
Ao longo dos anos, sua produção passou por galerias, exposições e colaborações internacionais, consolidando uma presença constante no circuito global de arte e design. Entre barro, cristais e memória, Geovana segue transformando experiências pessoais e paisagens do Sertão em obras que atravessam diferentes territórios do mundo.