16 de outubro de 2026

FOZ na SPFW: 5 detalhes para conhecer Expresso Maravilha antes do desfile

Quarta coleção de Antonio Castro na passarela paulistana fala sobre a busca por um lar e é apresentada como “coleção na estrada”; desfile da marca alagoana está marcado para domingo (18), às 16h

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Há 12 anos, Antonio Castro trocou Alagoas por São Paulo. Saiu de casa aos 19 e, desde então, constrói na capital paulista uma carreira que leva o artesanato alagoano para as principais passarelas do país. Agora, é justamente essa distância que vira matéria-prima da nova coleção da FOZ.

Batizada de Expresso Maravilha, a coleção será apresentada neste domingo (18), às 16h, na São Paulo Fashion Week – SPFW N61, edição que vai de 13 a 18 de outubro. É o quarto desfile da marca na semana de moda: antes vieram Alambique Fantasia (N56), O Conto de Laura (N58) e Povoado Poesia (N60). O Refresh conversou com o estilista e separou cinco detalhes para você chegar ao desfile já sabendo o que vem por aí.

1. Uma coleção sobre o agora

Antonio queria fugir do pessoal desta vez. Não conseguiu, e ele mesmo admite. Depois de três desfiles mergulhados em histórias de família, o estilista achava que tinha fechado esse ciclo. O ano de produção mostrou outra coisa.

“Eu falhei miseravelmente em tentar fazer uma coleção que fosse menos pessoal. Não é como se fosse um interruptor que eu posso ligar ou desligar quando eu quiser. Essas histórias me conduzem o tempo inteiro. Então, na mesma medida em que eu me aproveito delas como insumo criativo, eu também sou refém delas”, conta.

A diferença é o tempo verbal. Se as coleções anteriores olhavam para a memória, Expresso Maravilha fala do presente: a tentativa de voltar para casa, ou de descobrir onde fica esse lar, de quem vive em São Paulo há mais de uma década e, nas palavras dele, nunca se encontrou de fato na cidade. Não à toa o trabalho tem sido apresentado como a coleção mais psicológica da FOZ.

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2. Uma road collection

Assim como os road movies, os filmes de estrada, Expresso Maravilha foi pensada como uma coleção em movimento, uma busca por um lugar que ainda não foi encontrado. A ideia vai além das roupas: cenário e trilha sonora foram criados para reforçar essa atmosfera de viagem.

“Eu quero muito criar essa sensação na passarela de que a coleção acontece durante uma viagem, e de que as pessoas que estão ali estão viajando comigo”, adianta Antonio, que preferiu não dar mais spoilers sobre a cenografia e a música.

3. Alagoas de ponta a ponta

O artesanato, DNA da marca desde as primeiras Expedições FOZ, volta a ocupar o centro da criação. Da produção alagoana, participam as bordadeiras de Capela (Mimos de Dona Peró), o Embordal, de Marechal Deodoro, o Art’Cétera, de Maceió, com patchwork, o Pontal Arte, de Pontal de Coruripe, com trançado em fibra de ouricuri, e as bordadeiras de Entremontes, com o bordado redendê.

A rede se estende por outros estados: tem renda irlandesa de Sergipe, trançado de palha de buriti do Maranhão e parcerias com designers pernambucanos.

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4. Do tear industrial à agulha da bordadeira

Uma das peças que mais empolgam o estilista nasceu de uma parceria com o Instituto Riachuelo e as bordadeiras de Timbaúba dos Batistas. Elas bordaram sobre um jacquard também desenvolvido pela FOZ, num processo duplo de design de superfície.

“Um sendo industrial e o outro sendo artesanal. Então tem um intercâmbio de saberes ancestral e contemporâneo que eu acho muito especial”, explica.

5. Uma noiva que nasce de uma camisa

Quem acompanhou O Conto de Laura lembra da “roupa-mágica”, o vestido que surgia dos lençóis de uma cama gigante. Desta vez, o encerramento também guarda uma transformação: a noiva que fecha o desfile veste uma peça que surge a partir de uma camisa.

A escolha tem endereço certo. A primeira peça da FOZ foi uma camisa, e o vestido é uma homenagem a essa origem.

“Eu queria fazer essa alusão justamente à história de como a marca surgiu e a essa evolução e desdobramento do nosso produto até chegar num produto de passarela”, diz Antonio.

Depois de transformar a tia-avó cangaceira e um povoado imaginário em moda, Antonio Castro agora coloca a própria estrada na passarela. É tempo de viajar com ele.

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